quinta-feira, abril 12

- Tô aqui no Mercado do Peixe comendo uma muqueca de siri!

Diz ele eufórico no telefone, numa madrugada que ensaia esfriar mas é só enganação. Eu estou lendo blogs. É, blogs. Não desisto deles.

O bom do namoro é a manutenção. O bom é que em mais de 10 anos de Salvador eu nunca fui no Mercado do Peixe, e ele vai chegar cheio de coisas inéditas pra me contar. Uma outra visão de um lugar que eu amo e odeio e já tenho um panorama pré-concebido.

“Tô aprendendo também”, diria Rogério Flausino do Jota Quest.

terça-feira, abril 10

6 anos
Em 6 anos minha vida mudou tanto.
Com 15 anos eu diria que em 6 eu passei do New Kids On The Block pro New York Dolls.
Hoje eu digo que eu passei da autodestruição pro amor incondicional.
Eu sei o que é amor incondicional. Já é meio caminho andado.
Ele acorda com essa cabeça raspada, por causa dos piolhos e diz “Eu preciso fazer xixi”.
Eu enxergo esse menino enorme, com cara de menino agora (porque até ontem era meu bebê), de pinto duro, com vontade de fazer xixi às 3 da manhã, e penso que daqui a 6 anos o pinto dele vai estar duro por outros motivos.
Mesmo assim, eu dou um abraço forte, e encho de beijos antes de cobrí-lo com o edredon de novo.
Tiro os livros de cima da minha cama, esses livros que eu não li nem um capítulo porque minha cabeça anda tão povoada (o termo crowded mind nunca funcionará na tradução), e vou me deitar.
A semana é tão cheia de responsabilidades e eu só quero dormir bastante e acordar com um Vincenzo, que é italiano (agora ele fala que é italiano o tempo todo), pulando em cima de mim.
Antes que ele passe dos 20.
Dun dun dun dun dun dun
Dun dun dun dun dun dun
Dun dun dun dun dun dun
Dun dun dun dun dun dun
Diga que sim.

Não é o fim.
É tão ruim sorrir assim.
Saiba que hoje outro estou.
Perto de alguém quem falou
pois hoje o encantou.
Entrarei em disfonia se o rádio quebrado for seu.

Stratopumas sempre.
Show dia 21, no garagem. Se perder é bicha.

segunda-feira, abril 9

- Dorian!


- Não fale!


(...)


- Você me disse, no mês passado, que nunca iria expô-lo. Por que mudou de idéia? Vocês, que se dedicam a ser consistentes, possuem, na verdade, tantos estados de espírito quanto uma pessoa qualquer. A única diferença é que os estados de espírito de vocês quase não têm significados. É impossível que você tenha se esquecido de que afirmou, de modo solene, que nada no mundo o induziria a enviar o quadro a qualquer exposição.


(...)


- Basil, todos nós temos um segredo. Conte-me o seu, e eu contarei o meu. Por que motivo você se recusava a expor meu retrato?


O pintor estremeceu, mortificado.


(...)


- Vamos nos sentar, Dorian. Vamos nos sentar. E responda-me apenas uma pergunta. Você notou alguma coisa estranha no quadro? Alguma coisa com que você não tinha atinado, no início, mas que, de repente, se revelou a você?


- Basil!


Com as mãos trêmulas, o jovem agarrou os braços da poltrona. Olhava-o com olhos selvagens, arregalados.


- Notou, não foi? Não diga nada. Espere até ouvir o que eu tenho a dizer. Dorian, desde o primeiro momento em que o conheci, sua personalidade teve, sobre mim, uma influência extraordinária. Fiquei dominado, alma, cérebro e energia, por você. Pra mim, você era a encarnação visível daquele ideal oculto cuja lembrança nos assedia, a nós artistas, como um sonho exótico. Idolatrei você. Senti ciúmes das pessoas com quem você falava. Queria tê-lo todo pra mim. Sentia-me feliz apenas quando estava com você. E nas vezes que esteve longe de mim, ainda assim estava presente em minha arte... Claro, jamais permiti que você o percebesse. Teria sido impossível, você não teria compreendido. Eu mesmo mal conseguia compreender. O que eu sabia, apenas, é que me havia deparado, frente a frente, com a perfeição, e que o mundo se havia transformado, aos meus olhos, num mundo maravilhoso. Maravilhoso demais, talvez, pois, numa adoração assim tão louca, ronda o perigo, o perigo de perdê-la, nada inferior ao perigo de mantê-la...


As semanas se passavam e, cada vez mais, deixei-me absorver por você. Veio, em seguida, uma nova evolução. Eu o pintara como Páris, numa armadura elegante, como Adônis, num casaco de caçador, com uma lança lustrosa pra caçar javalis. Coroado em flores de loto, fortes, você se sentou à proa do barco de Adriano, de onde contemplava todo o verde, túrbido, Nilo. Você se debruçou no lago plácido de algum bosque grego e viu, na prata silenciosa da água, a maravilha... o próprio rosto. E fora tudo o que deve ser a arte: inconsciente, ideal e remota. Certo dia – num dia fatal, como costumo pensar algumas vezes -, determinei-me a pintar um retrato maravilhoso de você, tal como é hoje, não na indumentária de épocas mortas, mas com seu próprio traje, em seu próprio tempo. Se foi o realismo do método ou a simples maravilha de sua personalidade, a mim apresentada, de forma direta, sem bruma, sem véu, não sei dizer. Sei apenas que trabalhei muito, todo floco, toda película de cor parecia, a mim, revelar meu segredo. Senti medo de que os outros soubessem de minha idolatria. Senti, Dorian, que havia dito muita coisa, que havia colocado, no retrato, muito de mim mesmo. Foi então que resolvi não permitir jamais que o quadro fosse exposto. Você se aborreceu um pouco, mas, na ocasião, você não percebia o que tudo aquilo significava pra mim. Contei a Harry, e ele riu de mim. Mas não liguei. Quando terminei a pintura, e me sentei a sós com ela, senti que tinha razão... Bem, uns dias depois, a coisa foi embora do ateliê, e logo que me livrei do fascínio intolerável daquela presença, a mim me pareceu que eu fora um tolo em imaginar ter visto, nela, algo além de uma extrema beleza, e do fato de que eu sei pintar. Mesmo agora, inevitável sentir o erro do pensar que a paixão sentida na criação se evidencie na obra criada. A arte é sempre mais abstrata do que a imaginamos. A forma e a cor nos dizem da forma e da cor, e só. A mim me parece, com freqüência, que a arte, muito mais do que revelar o artista, o esconde de modo ainda mais categórico. Assim, quando recebi o convite de Paris, determinei-me a fazer, de seu retrato, o assunto principal de minha exposição. Jamais me ocorreu que você recusasse, mas vejo que você tem razão. O quadro não pode ser mostrado. Não fique zangado comigo, Dorian, pelo que eu falei. Como eu disse a Harry, um dia desses, você foi feito pra ser adorado.


(...)


Quando Hallward saiu, Dorian Gray sorriu sozinho. Pobre Basil! Quase nada sabia do verdadeiro motivo! E fora estranho que ele, em vez de ter sido forçado a revelar seu segredo, conseguira, quase por acaso, arrancar o segredo do amigo!

quinta-feira, abril 5

Samsara, Paris e a boemia saudável.

Uma crise. Interna. Assim: brrrr brrrr brrrr.

Um tremor que ameaça a erupção.

Um trio. Eu, Toulouse e Frida.

Um triângulo. Eu, o alter-eu e o novo eu.

Essa fase dos bravos, de se encontrar em si mesmo, e suportar o que significa. Essa busca da identidade alheia que termina com um espelho. Conflito com o espelho e com o próprio pensamento sobre o que ele mostra.

You don’t want to looose Lautrec.

Um espaço-objeto. Ver-se a metade.

O medo.

Espero que haja sobreviventes.

quinta-feira, março 22

(escrito há muitos dias atrás)
(que vida miserável)
(será que as pessoas percebem que, quando eu escrevo em parênteses, é como aqueles balõezinhos bufantes dos gibis da turma da mônica?)
Olha só a tosco tech. Agora eu escrevo em casa, sem interrupções do msn ou digressões no google. Daí eu boto no meu “péin draiv” e trago pra faculdade, e posto aqui no laboratório. É ou não é o cúmulo de alguma coisa? Não consigo explicar.

A melhor coisa das mudanças é encontrar um monte de coisa perdida: roupas, cartas de todos os tipos, abrir as pastas de lembranças (eu tenho umas 3 pastas de lembranças, que vão de entrevistas, fotos de galãs, flyers, até pedacinhos de papel), reorganizar os livros, baixar todas as apostilas que vão ser úteis esse ano, olhar aqueles pôsteres que nunca irão pra parede até que eu tenha minha casa, etc etc etc.

A pior coisa são os vizinhos novos. Tem uma vizinha que canta sem critérios, alto, e depois das 22hs. Músicas assim, que são as confirmadas do Planeta Atlântida. Mas eu acabo de resolver isso carregando o iPod Nano de mamãe. Agora quem canta é ela, tipo Beto Guedes e 14 Bis, maravilha.

Falando de mídias portáteis, o vencedor do meu player foi Papai Young com Comes a Time, de lavada. Entre 10 vezes que eu aperto play, no mínimo 6 vão pra ele. Melhor disco pra se ouvir na rua. Em segundo lugar o Rock Action do Mogwai. É incrível o que a instrospecção faz com as pessoas. Em terceiro Through the Windowpane, não imagino porque...

Estou fazendo um upgrade aqui agora, saiu uma galera e tá entrando outra cheia de gás. Andrew Bird, Billie Holyday, Charly Garcia, Clock DVA, Afghan Whigs, Clash, sai o Comes a Time um pouco pra entrar o Everybody Knows This is Nowhere e o Harvest. E Carpenters.

Ah! Carpenters! Que beleza! Finalmente a minha banda obscura preferida foi hypada. O Motoqueiro Fantasma já valeria só pela adoração de Johnny Blaze pela DEUSA Karen Carpenter, mas tirando os efeitos exagerados nos demônios, o filme é sensacional. Vincenzo está indo à loucura e já decidiu sua fantasia de halloween. O item mais pedido nos últimos tempos é uma jaqueta com correntes.

E qual é o hit do filme? Qual? Hãn Hãn??

SUPERSTAR!

*chora*

n.p. – Superstar, na versão original, na versão do Sonic Youth, na versão do New York Voices. Você tem mais alguma pra me apresentar? Eu sou completamente, patologicamente, doente por essa canção. E a voz dela? Meu deus! Ela sai por todos os poros! Johnny tem toda razão.

“Nunca se atreva a interromper Karen quando ela estiver cantando”.

Long ago
And tho’ so far away
I fell in love with you
Before the second show

Your guitar
It sounds so sweet and clear
But you´re not really here
It´s just the radio

Don’t you remember you told me
You love me, babe
You said you´d be coming back
This way again, babe
Babe Babe Babe Babe
Oh Baby!
I love you
I really do

Loneliness
Is such a sad affair
And I can’t hardly wait
To be with you again

What to say
To make you come again
Come back to me again
And play your sad guitar

quarta-feira, março 7


o post de aniversário foi meio deprê por causa de um papel que achei, mas minha vida não tem nada de deprê atualmente.
bem, até tem. se você for do tipo que pensa que a falta de grana é deprê.
bem, até é. mas bem, é sempre assim. já me acostumei.
eu cheguei aos 27 e o Vince aos 6. e isso é algo.
desisti de trancar a faculdade pra trabalhar 45 horas semanais e ganhar 450 reais, porque acho que não vale a pena, a menos que fosse numa loja de discos.
agora eu tenho aulas de francês, e me sinto no colégio, quando tinha que conjugar os verbos nas aulas de gramática. e também me sinto como um analfabeto aprendendo a ler. é uma sensação boa.

Je m'appelle Daniela.

"Qu'est-ce que tu fais dans la vie?"

Étudiant en Histoire.

Et Rock!

E não consigo ser outras coisas além disso.

quarta-feira, fevereiro 28

Well, mudanças. Uma boa maneira de comemorar um aniversário.(?)

Achei esse pedaço de papel empacotando as coisas, e resolvi botar aqui pra não se perder no vácuo. Hoje não significa mais nada, mas é agradável.

Perguntou, solene
Mal não há que se condene?
Además, no entanto
Mal sabia de amar, e o quanto.

Se dos ventos, contenta a brisa
Se da chuva o toldo abriga
Se aos mares, molha os pés
Se dá as costas ao revés

Não venha inquirir alento
Quando só desdenha o canto
Que lhe foi posto a exaustão
E exaurido, restou refrão

Salvo guardaste a Alexandrina?
De 14 lamentos e 14 rimas
De 14 mistérios e 14 anos
De 14 vezes lembrar quem somos.

terça-feira, fevereiro 27

Da série “demorei”. E o post com mais vídeos ever.

Eu tinha deixado esse cara lá pra trás e quase ignorado. Ouvi todo mundo falar e nunca parava pra ouvir. Até que uma grande alma me mostrou ingenuamente, sem imaginar o que aquilo ia me causar.

Eu não saquei qual música é de qual álbum, o que ele faz aonde, mas baixei 6 discos de uma vez só e estou louca. LOUCA!

Devendra Banhart é tudo que eu precisava na contemporaneidade. Nas primeiras audições eu já tinha percebido, até achar esse vídeo abaixo e confirmar.





Além das obras de arte que ele exibe aí, um dos comentários no you tube é “where's a tyranossaurus rex LP?”

Where? Where? WHERE?

Porque Devendra é FUCKING SOUND ALIKE TYRANOSSAURUS REX!!!!!!!!!! Ele está me dando every single arrepio que eu tenho quando ouço os primeiros discos do Marc Bolan. É melhor que orgasmo. Não, não é melhor. Mas no mínimo tem que ser consumido junto.

Caralho, caralho! Ouça Devendra se você gosta de T. Rex. OUÇA! Não encontrei em vídeo, mas ouça Sister (Devendra) e Buick Mackane (Marc), e entenda o que estou dizendo.






E eu demoro, eu sempre demoro. Ele ama o Transa.


Ele veio pro TIM e tocou Nine Out of Ten com Amarante, e eu perco isso.





Ele faz um gentleman "bram stockeriano" cantando Caê.




Porque tenho que ser tão teimosa? Ah, como o mundo precisa de um bom vibrato.

Babe, you can´t figure out all the good times you´re giving to me.


segunda-feira, fevereiro 26

Já foi na Renner hoje? NÃO VÁ.

A moda nunca esteve tão decadente.

Os sutiãs têm enchimento, e os que não têm possuem um formato surreal que se você não estiver com menos de 5% de gordura no corpo arrasam sua silhueta.

Calças jeans. Ou skinnies que não cabem nas suas coxas, ou trompetes que te transformam num kibe.

Camisetas. Todas rasgadas, assimétricas e de material duvidoso. Fora o nome do ROCK em vão por todos os lados.

Pregas e bufantes. Sem comentários.

Batas! Eu não agüento mais batas! Por deus, usei isso por pelo menos 6 meses da minha gestação. CHEGA.

Tomara que caia e diversos modelos pra serem usados sem sutiã. O que dizer a respeito? Ou você acabou de botar 250ml em cada um, ou é uma menina-moça. E magra, muito magra, com braços e ombros diminutos.

Shorts. Ridículo elevar o shorts à roupa de noite. Que falta de elegância, e piedade com as ancas brasileiras e fartas.

Até as roupas de fitness estão cada vez mais Flashdance.

Sem falar no provador. Provadores têm luzes especiais pra destacar todos os defeitos do seu corpo. E fazer com que você saia da loja com um sutiã pra usar no dia a dia (não bege, nunca bege, please), e alguns pares de meias.

E muitas roupas pro seu filho, se você for mãe.

domingo, fevereiro 25

Das tecnologias...

Adquiri via patriarca o meu primeiro mp3 player. Na realidade, o fim desejado nem era o de tocador de mp3, mas sim de um pendrive pra transportar arquivos pra faculdade. Juntar as duas utilidades me pareceu digno.

Assim, tive que morrer pra colocar em 1 giga uma playlist digna. Cheia de obviedades e alguns surtos. Check it out:

Richard Hell & The Voidoids – Blank Generation

Óbvio.

Neil Young – Comes a Time

Óbvio.

Belle and Sebastian - If You´re Feeling Sinister

Meu favorite do Belle, e boa trilha pro movimento do T9.

Damien Rice – 9

Não ouvi direito ainda. Uma chance pra ele e momentos de instrospecção no rock triste.

Revolting Cocks - Linger Ficken Good...and other barnyard oddities

Aquecendo pro disco novo do Nine Inch Nails com um nome de peso do Industrial.

Mogwai – Rock Action

“Introspecsaum”

Rolling Stones – miscelânea

Tipo Greatest Hits, seleção minha. Óbvio.

The Southern Death Cult – homônimo

Primeira formação do The Cult. Mata a pau.

The Guillemots – Through the Windowpane

Duh. Mais do que nunca.

Pilot – homônimo e o January

Porque todo mundo deveria ouvir Pilot. Oh, it´s magic, you know.

Deftones – homônimo

Me gusta el nu metal.

*

Comprovando que minha humildade vira piada, assim que eu recebi esse meu regalo pitoco da Phillips, meu pai mostra o que ele deu pra minha mãe. Um Ipod Nano. No meu mp3 player tem Neil Young, no Ipod Nano, que papai já carregou, tem Banda Magníficos. :/

*

Seguindo a humildade sem fronteiras, eu explicava pro namorado que depois que comprei uma Sony W1 me aquietei e não achei mais necessário mudar de câmera. Hoje o Vince vasculhou a mala do papito, em busca de mais presentes pra ele, e encontrou um pacote com plastibolha. Ele queria o plastibolha, claro. Que continha uma Nikon L.1, da minha mãe também.

Quero ser como ela quando eu crescer.

*

Lembre-se:

Poa Róque Town
Sábado – 03 de Março
$6,00 antes da meia-noite
$10,00 após
Cabaret do Beco (Independência, 590)

djs:
Dani Hyde
Gabriel Machuca
Eduardo Iribarrem (Noisy)
Everton Costa (Noisy)

vai ser beeeeeeeem RUIDOSA.

now playing (no meu mp3 player aeee) - When Girls Telephone Boys - Deftones

(o que me lembra de fazer algo...)

quinta-feira, fevereiro 22

Eu descubro o pop pelo meu irmão.

É assim há algum tempo. Meu acervo engloba várias coisas menos as músicas da última semana (a não ser golden skans, que nem é mais da última semana).

Os grandes nomes desse processo ficam por conta do Ventura – Los Hermanos, e Cosmotron – Skank.

Minha relação com Los Hermanos já foi bem retratada nesse blog, e é como amor de velhinhos, não preciso mais falar a respeito, nem ouvir toda hora pra provar que estava certa.

Mas o Skank, putz. Eu ainda não ouvi AQUI no meu computador, mas o meu irmão ouve todo dia LÁ no quarto dele e por osmose eu ouço também. Será que só eu que acho isso, ou o Skank realmente virou outra banda depois do Cosmotron? Claro que tem as trilhas de novela e suas devidas proporções lógicas do mainstream, mas que eles estão se importando mais com processo criativo não há dúvidas. Não há mais Jack Tequilas da vida, mas sim várias Formatos Mínimos.

*

Meu stress é inversamente proporcional ao número de músicas que eu ouço no dia. Se ouvi 3 hoje foi muito.

Murphy, tu sempre me acha.

terça-feira, fevereiro 20

Gera monstros, monstros, monstros. O adormecer da razão. Não sei o que veio primeiro, o meu terror eterno em dormir à noite, ou a síntese do Goya na minha eternidade. O fato é que é dificílimo deixar a razão à mercê dos meus amiguinhos...

Estávamos nessa casa, que é praticamente a minha casa própria dos sonhos (literalmente, não que, de alguma forma, eu gostaria de ter essa casa, porque espero que ela nem exista). Ela fica num lugar próximo à água, não posso precisar se é doce ou salgada. Não me lembro da entrada dela, mas dos fundos pra dentro. Há um deck espaçoso, em forma de L, onde numa ponta exibe uma piscina média e algumas espreguiçadeiras, a parte central tem uma mureta, que dá visão pra água de fora, que eu não sei o que é, nunca vi a areia, ou ouvi as ondas, e sempre é de noite. Continuando tem uma churrasqueira, dessas meio automáticas que giram espetos com autonomia e etc. No final do L tem um degrau que dá para uma porta de vidro, dessas de correr, pro interior da casa. Entrando por esse espaço tem uma sala de estar, com poltronas confortáveis, almofadas, a iluminação é amarelada, quase que torna tudo sépia ao redor, as pessoas ficam “sépias”, esses ares lúdicos, enfim. No canto esquerdo há uma escada, de uns 10 degraus, que dá para uma varanda sobreposta a uma parte do deck, com um trio de mesinhas, simples, mas com arranjos sobre os centros, de flor branca, acredito ser copo-de-leite. Que tem tudo a ver com sépia. Essa varanda, também com uma porta de correr, mas dá acesso a um aposento, e a parte de dentro é reservada com persianas.

Há escadas por tudo. Passando pela sala de estar do primeiro andar, encontramos um salão, com um bar e uma mesa, o bar maior que a mesa de certo. Que é onde começa a história de hoje.

Eu, Pedro e Vittorio, parados, conversando durante essa festa que acontecia. Sempre acontecem festas na casa. Estávamos precisamente aos pés de uma escadaria interna, que levava ao segundo andar, e se fragmentava em diversos aposentos.

Passa por mim uma pessoa, um homem, com cabelos negros, presos, com uma calça jeans clara e uma camisa azul. Olha pro Pedro e o puxa pela mão. Pedro é homossexual, mas não desprovido de modos e classe (elegância e reserva no porte, diria Lux). Meu amigo repele, o jovem olha por cima do ombro, Pedro com força, repele de novo, numa última tentativa, o desconhecido destila algum outro olhar que faz com que Pedro se retraia até chegar ao chão, agarrado aos joelhos, em prantos.

O rapaz sobe as escadas. Eu subo atrás, cuidadosamente. Ensaia me dar um chute, na altura da face, eu o repreendo e digo pra não fazer. Ele o faz, eu seguro o pé descalço dele, no ar, e minhas mãos atravessam sua carne, como se fosse um monte de massa de modelar. Enquanto destruo o que sobrou das suas pernas, ora arrancando, ora macerando, algo escapa pela sua boca, e some no burburinho.

A festa acaba, todos vão embora, quem não vai se despede de mim e entra em seus respectivos quartos, minha casa é cheia de quartos de hóspedes, e como em qualquer situação como esta, vários hóspedes são vitalícios.

Vou me deitar com meu filho, após me ajeitar, fechar os olhos e dar aquele último suspiro que nos libera pro desfalecimento, algo me envolve o pescoço tentando me sufocar. Não é meu filho, mas sim um pequeno espécime de demônio, com corpo de criança, com rabo e a pele escura, de um cinza chumbo, como se houvesse sofrido queimaduras, escorregadia como a de um réptil. Pego ele pelo corpo e corro pra porta de persianas da varanda, o vento forte faz com que eu me debata por alguns segundos.

“Você não é humano, não é humano, o que é então?”

O demoniozinho dá algumas risadas contidas, se solta de mim, e sai, saltando da varanda para o deck, e do deck para o breu que é lá fora. Só enxergo o brilhante dos olhos se afastando.

Acordo.

O Vince ronca do meu lado com as duas pernas em cima das minhas costas.

Eu levanto e venho escrever. Porque o maior problema de quem possui terror noturno, não é o pesadelo, mas a sensação de horror que fica, por mais que aparentemente já se tenha assimilado o que é ou não real. É preciso voltar completamente pro mundo palpável. Algo que eu não faço por mais de 2 horas diárias.

segunda-feira, fevereiro 19

Segundo Dia
(e no meu caso é provável que o último, porque não sou bem uma foliã, sou roqueira, mãe, e atleta)

Darth Flux. Ou E-Vader.

As várias faces de um crime: o boliviano, a escoteira e a ruiva fatal.

Momento Caras e descontração: Bruna Gil, Rafa Schutz, Fábio Cobalto e Dani Hyde.

Gabriel exibindo o seu novo look Wayne Cohen, que lhe cai muito bem.
A coisa é mais ou menos assim, rola uma briga no bar, todos os funcionários correm pra apartar, e o balcão fica vazio. Nós, que ignoramos excessos de testosterona, servimos rum de graça durante meia hora.

Machuca com saudades de quando o mundo parecia ter jeito.

Cobalto, arranjando uma forma multimídia de me falar o quão torto é o meu nariz.

e claro. a pedidos, um plano geral do meu costume super criativo. como todos sabem, o Vitor (proprietário do Beco e nosso explorador) usa calça camuflada e a camiseta do Gig Rock pelo menos 3 vezes por semana. achei interessante homenageá-lo.
pra dar mais veracidade à foto eu "metaforizei" uma pança de cerveja, e o principal, reproduzi a risada fanfarrona do chefe. pena que foto não tem áudio.

domingo, fevereiro 18


Chalaça 2007
(ou "O que fazer no carnaval com os amigos numa cidade fantasma")



daddy cool e sexy mamma - os djs mais populares da maternidade

joão perassolo, mary farias e amiga, provando que máscara é sim, uma proposta.

dani hyde e "hawke" iribarrem, falando alguma coisa sobre cús.

felipe hyde - adotou o novo pseudônimo pra ficar famosinho na night.

siouxsie e lux - respectivamente como se dirigem uma à outra.

brilha, estrelinha, brilha!

os quatro cavaleiros do apocalipse.

e esse foi só o primeiro dia...

sábado, fevereiro 17

Quem canta...

Agora minha nova mania é cantar quando fico bêbada em casa. Deve estar rolando um remember de frustração porque nunca levei os projetos de banda pra frente, ou é simplesmente meu lado Diana Ross que não se aquieta.

O fato é que eu bebo, e lá pelas 4, 5 da manhã eu começo a botar músicas DIFÌCEIS de cantar pra ver se eu consigo, sem desafinar. Quase sempre que não, mas pros vizinhos eu devo ter virado a louca da madrugada.

Meu grande desafio é Got to be there, do Jacksons 5. Aliás, eu desafio qualquer um a fazer aqueles agudos. Aquilo não existe, só uma criança michael jackson é capaz.

Golden Skans (abaixo) é boa pra treinar a respiração com o “uh eh uh”. Wuthering Heights tem até coreografia. Daí tem Ain´t no mountain high e Your precious love (Gaye), tentando imitar o sotaque da Tammi Terrel. E Femme Fatale imitando a Nico também.

Gosto de fazer o Brian Ferry, com aqueles vibratos da época do Roxy Music, mas esse é de brincadeira (só esse, perceba como ela ainda leva isso a sério).

And naaaaaaah (cara de gatinha)
i-eve got somedin’ dah sing (levanta a sombrancelha e faz aquela mexidinha de pescoço)
telling the worrrrld (kentucky accent)
a-about dah jooOooy you bri-iiing (de boca aberta, tipo Diana)
and you gave me
a reason fo-or livin’
and whooooa
you taught me
you taught me the mea-ening of givin’ (fazendo aqueles movimentos Lionel Ritchie pra provar que se está fazendo um real esforço por aquilo)

Oh! Heaven must have sent you from above
Oh! Heaven must have sent your precious love.


Ah! Mais um desafio, conseguir pronunciar LOVE como Diana Ross. Vou ali assistir Dreamgirls pra ver se a Beyoncée consegue.
Hasta.
Tá. Me rendi, não sei do resto mas essa música me faz tirar o pé do chão e outras cositas más.

Saca o “we once begun”. É coisa de quem entende. E o vocalise? me salvem.

Set sail from sense, bring all your young. Set sail from where we once begun. While we wait, while we wait. A hall of records, or numbers, or spaces still undone. Ruins, or relics, disciples and the young.



quarta-feira, fevereiro 14

slow burn.

terça-feira, fevereiro 13


Há algum tempo atrás eu passei por uma coisa terrível, e praticamente sozinha. Me sentia sozinha mesmo com outras pessoas em volta, porque na hora ninguém estava lá, e é horrível quando ninguém está lá. A minha necessidade de compartilhar as coisas com outras pessoas é pungente. E tem esse algo que eu nunca vou poder compartilhar com ninguém, daqui. De vez em quando eu volto as páginas pra dar uma última olhada, e encontro alguma serenidade. O modo como a vida se desenrolou após esse momento, é surpreendente. Parece que às vezes os deuses realmente querem dar um alô. Nada poderia mudar o que havia, e, sendo egoísta, talvez eles agiram sabiamente. A gente não pode estragar nada, e a água tem que correr sempre na mesma direção. Continuo aprendendo sobre o amor, sobre todas as formas, todos os dias. E nem de longe meus devaneios e loucuras e inconseqüências e irresponsabilidades afetam essa lição maior. Já fui amante dos fatalistas, dos malditos, dos bêbados, dos pervertidos, mas agora nenhum deles consegue exercer uma fascinação além da literária. Eu não cago pro mundo, eu me importo. Me importo com quase tudo. Ficar deprimida hoje representa que eu me importei e fui magoada. Estou viva e vivo com quem respira. E gosto mais ainda de quem respira com vontade, aspira tudo que tiver pela frente, e deixa o corpo filtrar o que não é bom. No more spleen for me, além dos spleens românticos e cheios de poesia e criatividade e amor pelo que se faz. Ainda acho péssimo um mundo cheio de rotinas e horários e paredes, mas a gente tem que ter algo do que reclamar pra poder seguir tentando mudar as coisas. Acho que a Assistência ganhou.
(img: ophelia – arthur hughes)

segunda-feira, fevereiro 12

Back to Wuthering Heights, ainda preciso de scripts. Não sendo de filme, o que uma santa alma conseguir, agradeço.


obrigado, jeff buckley, por também escrever reggaes.

I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you

Let me show that love can rise, rise just like
embers.
Love can taste like the wine of the ages, baby.
And I know they all look so good from a distance,
But I tell you I'm the one.

sexta-feira, fevereiro 9

Agora tudo está calmo. Porque é assim. Eu choro a noite toda de raiva do mundo, mas depois acordo como se nada tivesse acontecido. Me dão motivos pra pensar que nada aconteceu, é verdade. Ou que o que aconteceu é pequeno. E daí ele diz “vem pra cá” e eu ganho quase 24hs grandiosas. Ali na nossa Love Lane, cheia de personagens, músicos, árvores na varanda e os nossos olhares.

O calor até foi embora pra me deixar mais calma. Entra um ventinho aqui no quarto e eu ouço, finalmente, Thelonious Monk. Não podia ser mais adequado. Alguns dias sem você, mas com Thelonious Monk e Miller falando da sua Hildred.

“Eles tremeram quando seus joelhos se tocaram. Quando a música começou e eles ouviram de novo a melodia que outrora correra em suas veias como fogo líquido, as lágrimas lhes vieram aos olhos. De braços dados, marcharam para a pista de dança – o minúsculo retângulo róseo em que os apaixonados e os enfeitiçados se comprimiam voluptuosamente. Enlaçados estreitamente, eles se deixaram vagar, ditosos, como os demais, esquecido de tudo e de todos, exceto daquela noite em que ficaram juntos pela primeira vez e por dias e dias depois dela. Era como o fragmento de um sonho que, por um esforço difícil de avaliar, é revivido repetidamente na fração de um segundo, sem qualquer alteração, exato, luminoso, completo. A meia voz, ela cantarolou as palavras em seu ouvido. O contato do seu rosto queimava, sua voz era um narcótico, seus seios, macios e túmidos, arfavam com a melodia.”

quarta-feira, fevereiro 7

Às vezes não basta acreditar. Às vezes não basta ser você mesmo. Na maioria das vezes eles nunca vão entender.

DON´T BELONG IN THIS HORSE RACE.

Top 5 das pessoas que morreram com 27 anos:

Jimi Hendrix
Janis Joplin
Brian Jones – Rolling Stones
Jim Morrison – The Doors
Kurt Cobain – Nirvana

Bem vinda ao inferno astral mais sinistro dos últimos tempos, Dani Hyde.

*

Por outro lado parece que all is full of love. Tomei vergonha na cara hoje e baixei o Different Class do Pulp. Amor instantâneo. Disco foda, e F.E.E.L.I.N.G C.A.double L.E.D L.O.V.E é uma das melhores letras da temporada.

E descobriram na Itália um casal de esqueletos abraçados. ABRAÇADOS! Inédito em toda a história da arqueologia! Quero ir lá ver agora.

domingo, fevereiro 4

Touch me
Take me in your arms
Shelter me from harm
Let me love you
For a million years or more
I never felt this way before
Before your kiss

Love me
Love me from your heart
Let us never apart
Bring me all the dreams
You thought would never be
Will make them all reality
Just you and me
You take my heart away
Away


Tema do Rocky e da Adrian, simples, cúmplice e unique. O Bill Conti consegue transpor o clima de Gonna Fly Now pra algo romântico e não muito piegas. Tudo que é romântico é sempre um pouquinho piegas. Ando romântica, então vou falar um pouco sobre a festa.

Do advento ROCKY TOWN alguém me comentou que não sabia que o Rocky Balboa tinha tanto impacto na cena rock. Eu também não sabia até fazer a primeira há 1 ano atrás. Tirei a idéia porque Rocky representa superação, e agüentar firme fazendo festa sem desistir não é pra qualquer um.

Aqui no Sul, além da Róque Town ter amor declarado ao garanhão, tem a banda Rocky e os Balboas também, que toca covers do fino do hard rock, e o vocalista entra de calção, roupão e ataduras no palco, ao som de Eye of the Tiger.

Assistindo o Hi Fi eu constatei que Rocky é amado pelos amantes da música all over the world. Tem uma cena que o Rob está falando de como é horrível transar com alguém sem razões plausíveis, e o exemplo que deu foi “como se a Talia Shire transasse com outra pessoa que não fosse o Rocky”.

Além de se tratar de um filme sobre a paixão pelo boxe, Rocky é também sobre o amor inabalável e puro entre dois perdedores.

Vale lembrar que na FAPA tem uma professora de história que é igual a Adrian, quem tiver esse fetiche go ahead.

Voltando pra Róque Town, confesso que passei a noite deslumbrada. Quando a gente pensa que está tudo perdido, que as pessoas não ligam mais pra música, elas ressurgem do esgoto e enchem o coração da mamasita.

O dia todo foi um stress, brigas por dinheiro e revolta dos sócios, pensei em desistir de novo. Daí a gente chega lá, começa a arrumar as coisas, colar os cartazes de todas as festas passadas na parede e alguém bota o If You´re Feeling Sinister do Belle and Sebastian pra aquecer os preparativos. Melhor álbum da banda e um marco da minha vida. Beleza, cantarolava “Like Dylan in the movies” enquanto colava fita crepe, lembrava de coisas e sorria nostálgica.

Fidel Castro nas paredes, Cuba Libre nas mãos das pessoas que iam chegando, tudo dava certo. Começou a enxurrada de amigos, coadjuvantes desses 2 anos, velhos e novos amores, todos nos parabenizando, abraçando e beijando e foi quando me dei conta que sim, fiz tudo certo.

Discotecagens inspiradas do Gabriel, do Vitor, do Arthur, e até a minha, que não era tão dançante há tempos. As pessoas cantavam quase todas, dançavam, vibravam com uma ou outra faixa. Melhor momento foi tocar You Don´t Know Me (Caetano – Transa) no auge. A pista esvaziou um pouco, mas quem ficou, tava lá de braços pra cima, quase chorando.

O final eu nem comento, postarei o set na comunidade.

Mas quem acendeu as luzes foi Girl, do T.Rex, mantendo a tradição.
E a gente não vai parar de se perguntar algum dia, o que veio primeiro, a música ou a miséria?

Vi o Hi Fi na prateleira da locadora e não resisti. De vez em quando a gente tem aquela fase de rever conceitos pop, certo? Alta Fidelidade representa um zilhão de coisas pra mim, e assistindo de novo eu só consegui achar mais símbolos ainda.

Não li o livro, e confesso que haja um certo preconceito agora, após ter lido Uma Longa Queda. Mas eu fico pensando, o que será do livro sem o Cusack? É meio impossível de visualizar.

Porque no final a vida sempre se resume a quem você amou ou não. E o que importa nas pessoas é o que elas gostam, e não o que elas são. É uma realidade. O que elas gostam, sempre vale mais.

E as projeções. Fumar como o Rob, ser empolgada e visionária como o Barry, e definitivamente me identificar com a Charlie. Porque eu sei bastante coisa, sou bem resolvida, mas só falo besteira e é provável que acabe sozinha.

Ás vezes eu me flagro em meio a discussões ridiculamente despreparada. Não sei falar, daí fico pensando “se eu tivesse escrevendo isso sairia muito melhor”. Algumas pessoas só se expressam em palavras ou gestos. Falar não é o meu forte.

Escrita e revisada. A vida perfeita.

A miséria veio primeiro, e a música é a desculpa. Pelo menos nesse segundo.

Trilha sonora: Marvin Gaye. E quem vai duvidar?

quinta-feira, fevereiro 1


Volta pro fotolog, tá bein?


O esquema é o seguinte, a Melissa PAGA as famosas de fotolog pra comentar o SP Fashion Week, até aí ok, porque a gente já sabe o que esperar de comentários de moda. Só que daí quando envolve o desfile de um Cavalera da vida, e elas querem posar de roqueirinhas new rave, acontece esse tipo de coisa:

"...e essa coisa de antigo carnaval + mundo rock que está na camiseta que escreve Adoniran com a fonte do ACDC. x) SHOW!"
(Mari Moon. Fonte: site da Melissa)

A proposta da Cavalera é boa, qualquer coisa escrita com a fonte do AC DC também é boa, mas no caso, babe, estamos tratando da fonte do Iron Maiden.

Atenciosamente

Hyde Assessoria Rock S/A.


terça-feira, janeiro 30


chora, hetero.
quarta temporada de The L Word.
alegria geral.

Estava eu aqui organizando uns dvds e procurando pelo Vanishing Point, e veja, it has vanished! Não sei onde foi parar, por Zeus, existe uma cópia num lugar seguro.

O fato é que encontrei minha cópia do BE, o show/disco/conceito maior do Pain of Salvation, que gravei antes do meu amigo e companheiro de composições se mandar pra Alemanha (e viver pertinho do POS, e verá em março o show novo deles, iack!). Revi as minhas faixas preferidas, me emocionei às ganhas, e lembrei que não falei nada aqui sobre o Scarsick. Álbum novo dos meninos.

Primeiro porque não tinha ouvido direito, segundo porque aconteceu o que eu temia, eles voltaram pras barulheiras do “metáu” e eu não gostei tanto. Mas merecem os meus comentários.

Não sei se é possível dizer que é um disco mais pop, porque as músicas têm de 5 minutos pra cima, isso até vem a ser normal com um letrista como Daniel Gildenlöw, mas com certeza está mais acessível pros metaleiros “burros”. No sentido de que tem melodias mais retas e pesadonas, e letras diretas, explícitas, fáceis de assimilar.

Acho que no geral é uma continuação à saga do Mr. Money, do BE. O cara vazio e consumista e bla bla bla. Acho tudo muito nobre e político, mas definitivamente, eu prefiro o lado emotivo do Daniel. Sem surpresas, ele acaba de ser pai e não consegue mais escrever letras dramáticas porque gasta tudo isso com o pequeno, sei como é.

Tem uma até acabando com os States (America), mas não consigo, não é algo que espero do Pain of Salvation.

A surpresa e motivo de ódio dos fãs é Disco Queen, que é, bem, disco music! Mais uma sacada contemporânea do meu xará, fala dessas meninas que a gente tá cansado de ver toda noite e de todo esse processo no qual as festas de discotecagem estão mais populares que os shows de rock, maldita new rave. Mas também, não precisava né, amigo. Tu é maior que isso. 8 minutos, OITO, pra um groove! Please, pra isso existe Bootsy Colins.

Onde não é puro metal, ou disco (hehe), há um experimentalismo absurdo, que chega num ponto inaudível. O próprio Pain traindo sua maior qualidade, a de fazer música boa e sofisticadíssima, sem punhetar. Bem, aqui estamos punhetando, e muito. Ma pára de usar o Wah!

Então é assim, vou ficar aqui me lembrando do dia 27.09.2005, onde eu fui uma pessoa mais feliz, ouvi Undertow ao vivo e ganhei beijinho e abraço de um sueco muito humilde que não faz idéia do gênio que é.

Scarsick fica como uma cicatriz na carreira do Pain of Salvation. E que venha o Perfect Element II, com o destino dos personagens de Morning On Earth / Reconciliation, no mínimo. Não vou considerar o Scarsick como a segunda parte. Forget about it.

Só pra lembrar, um pouquinho de Nauticus II, uma segunda parte que merece ser conhecida pelo mundo.

I'm at the line - I see it all
I am Nauticus now
And so much more
I am all you know
I'm at the line - just at the line
An eternity at the blink of an eye
In this place called time
I'm everything
Everywhere
I am all
Omni
"BE"




sábado, janeiro 27

sexta-feira, janeiro 26


Quero estar onde quer que você esteja. Deitada ao seu lado mesmo se você estiver dormindo. Henry, beije meus cílios, ponha seus dedos sobre minhas pálpebras. Morda minha orelha. Empurre meu cabelo para trás. Aprendi a desabotoar a sua roupa com rapidez. Tudo, em minha boca, chupando. Seus dedos. O calor. O frenesi. Nossos gritos de satisfação. Um para cada impacto do seu corpo contra o meu. Cada golpe, uma pontada de prazer. Perfurando numa espiral. O âmago tocado. O útero suga, para a frente e para trás, aberto, fechado. Os lábios adejando, línguas de cobra adejando. Ah, a ruptura - uma célula de sangue explodida de prazer. Dissolução.
(Anaïs Nin)

quarta-feira, janeiro 24

Os ventos que uivam.

Pela primeira vez resolvi fazer um projeto escrito sério. Tomara que a Síndrome-da-Não-Conclusão não me atrapalhe dessa vez.


Portanto quem quiser me ajudar a encontrar um script de TEATRO de Wuthering Heights (O morro dos ventos uivantes), eu agradeço.

“Heathcliff, it´s me, your Cathy, I´ve come home….”

vuuuuuuuuuuuuuuuussssssssssssshhh

http://www.whydoyoublog.com/

responda a pesquisa e concorra a um iPod Shuffle. ou simplesmente responda, é interessante.
Love Lane

Em ritmos compassados escutavam-se os passos daquela ruazinha. Passavam os bardos voltando pra casa, os ímpios procurando cortar caminho pra encontrar outro bar aberto, as meninas chegavam de táxi e pediam pro motorista esperar até que elas ultrapassassem a porta de seus prédios em segurança. Era uma rua estreita, de paralelepípedos que cruzava uma outra principal e finalizava num Beco, com o edifício mais antigo da cidade. Onde os moradores nostálgicos faziam questão de criarem abaixo assinados e brigar com as seguradoras pra nenhuma agência dessas grandes, de construções, acabar com o sopro de história de toda uma era.

Não havia ressarcimento que compensasse o abandono daquela estrutura para que levantassem um condomínio de luxo, desse com 5 quartos, e que em cada quarto mal cabe uma cama. Comum em Porto Alegre, esse era mais um prédio construído por imigrantes com um nome egocêntrico. A diferença é que, ao invés de italianos, alemães e poloneses, o lugar era abarrotado de desertores da Paris enlouquecida de 1845. A pândega que se revezava em reis, imperadores e presidentes por quase um século instaurou uma mentalidade de que a vida poderia ser melhor fora de lá. Mal sabiam eles que chegaram no exato momento em que Porto Alegre fervilhava de ideais visionários, revoltas estaduais e contra um governo grande demais pra dar justa conta de todo seu território. Mas dado as circunstâncias, ainda parecia um recanto menos hostil.

Verushka morava no Saint Ettiene há 4 anos e já simpatizava com os velhinhos que eram contrários a idéia de perder sua morada. Desde que chegou, sempre se encontrou acolhida, não fosse pelos amigos que conheceu ainda em Paris, através da internet, era pelos pequenos detalhes. Uma manhã de sol em que se ouvia da lavanderia comungada tons de Wagner, Berlioz, e os mais contemporâneos como Edith Piaf e Gainsbourg. Sempre em casa, era sempre um conforto estender as roupas lavadas balançando como um pêndulo enquanto ouvia Non Je Ne Regrett.

Não tinha grandes ambições, além de sumir do lugar que morava. Dedicava-se então, à tradução de textos e livros do francês pro português. Sem surpresas, o que lhe rendia o sustento eram as pesquisas acadêmicas, hoje em dia, ninguém quer saber de Victor Hugo, Maupassant, Dumas, Balzac, Flaubert, Valéry, Baudelaire ou Artaud. O negócio é simplesmente copiar e colar o Pacto Social de Rosseau pra crianças da sétima série até a universidade.

Aparte o cerne da subsistência, Verushka era uma mulher noturna. Dormia até meio-dia, realizava suas tarefas, e ao crepúsculo procurava alguma outra atividade no intuito de afirmar que o ser humano era de alguma forma um ser social. Tomava um banho perfumado, se vestia com as melhores roupas e abandonava sua Love Lane para adentrar em algum estabelecimento decente.

O “decente”, pra ela, consistia em boa música e pessoas agradáveis, nada mais. Essa noite bastava um encontro na casa de amigos, e para lá deslocou-se. A casa de Juan era de um colorido sem igual. Ele trazia da família esses caprichos multicores, cheio de tapeçarias latinas, o som no meio da sala como personagem principal, várias almofadas espalhadas pela sala, uma diversidade de fotos da aclamada cultura pop pelas paredes do apartamento. Sentia-se protegida quando estava com Juan. Seu companheiro desde que chegou, ele a fazia rir quando precisava, e ajudava-a a continuar acreditando que uma vida solitária não poderia se bastar por somente.

Rostos familiares e desconhecidos se misturavam na sala de sinuca. Jovens deveriam sempre jogar sinuca. É de um prazer inigualável competir sem competir entre os iguais, porque o que sempre está em jogo é o que se fala durante o jogo e não o jogo em si. Mas ela mesma não parecia cultivar esse hábito, o que esperar dos outros? Divertido era errar enfadonhamente, e olhar pro parceiro e pros adversários e rir, e prosseguir com o assunto.

O rádio chamou a atenção, por já ser alta madrugada e tocar “Je t´aime moi non plus”. A desordem foi psicótica, todos em verborragia coletiva, rindo e ensaiando alguns passos de pilhéria. Lucas foi pro canto da parede e começou a simular um amasso como se estivesse com alguém prensado sob ele, esfregando os braços cruzados nas costas. Renato, um pouco mais desenvolto, arrebatou o gato do anfitrião e simulou algum tipo de cópula bestial cômica.

Verushka, de tanto rir, deixara sua garrafa de cerveja escorregar das mãos. O recipiente espatifou-se em zilhões de partículas. Ao que veio metade da festa ajudar a recolher, ela sentiu vertigem. Os cacos, espalhados pelo chão, revestido de cobertura plástica, em lascas finas e convexas, a fez lembrar ligeiramente de asas de baratas, quando morrem ou estão renovando e deixam seus recursos para trás. Não conseguiu recolher mais nada.

Ricardo postou-se à sua frente, no auxílio da ligeira catástrofe. Sorriu e cumprimentou, querendo dizer o previsível, que esse tipo de coisa simplesmente acontece.

Ele tinha olhos brilhantes, as madeixas em cachos, levemente desorganizadas devido à atividade boêmia que acontecia no recinto. Corpo esguio, charmoso, conforme movimentava seus ombros gerava uma cadência em profusão de músculos, delineados pela falta de carne e excesso de esforço. Suas mãos corriam ágeis, para que o jogo recomeçasse.

O vizinho tocou a campainha, o barulho estava em demasia, precisávamos sair do apartamento pra continuar a diversão. Embora estivesse preocupada por ser o estopim que fez o rabugento reclamar, assentiu com a idéia de ir pro clube que ficava ali perto nas redondezas do bairro.

Barulho e embriaguez, a combinação ideal pra se aproximar mais de Ricardo. “And if you can´t swing, you simply haaaave to…”. Era Mr. Paganini, com Ella Fitzgerald gritando freneticamente na finaleira daquela comemoração. Eles ensaiavam passos sem jeito e riam, riam, sem poder mais.

Era costume do bar encerrar a noite com grandes canções de jazz. Ricardo e Verushka acabaram por se encontrar no meio na multidão de amigos, Ela quase não o conhecia, ele era novo no grupo. E Ella introduziu um:

Like the beat beat beat of the tom-tom
When the jungle shadows fall
Like the tick tick tock of the stately clock
As it stands against the wall
Like the drip drip drip of the raindrops
When the summer shower is through
So a voice within me keeps repeating you, you, you
Night and day, you are the one…

“So a voice within me keeps repeating you, you, you…”. Verushska deslizava nos braços de Ricardo. Regozijava enquanto escutava Night and Day, olhava praqueles olhos de cegar qualquer um que preste atenção, e agradecia Cole Porter por escrever essas coisas sabendo que seriam tocadas no final da noite. E que o final da noite às vezes acabava bem e podia durar pra sempre.

segunda-feira, janeiro 22


Trem pro Brasil, agora!

Annie Let´s Not Wait era a música que menos me agradava do Through the Windowpane. Mas isso só prova que pra gostar de alguma coisa você tem que insistir, porque ela vai ficando melhor, e melhor, e melhor.

“It´s getting better all the time”, já diziam os raparigos, aqueles.

Ia postar outra foto do Fyfe aqui e falar como ele torna a vida das pessoas mais bonita quando me deparei com essa do Magrão. Absolutamente de cair o queixo, não sabia que era ele o responsável por todos os barulhinhos.

Melhor set de pedais ever. E na mão dele, é uma furadeira. Que você pode conferir na prática aqui:



quinta-feira, janeiro 18


dia mundial da humanidade me passar pra trás.

obrigado, Zeus, por criar pessoas tão fracas.

quarta-feira, janeiro 17

what a draaaaaaaaag it is getting old...

Lifes just much too hard today,
I hear every mother say
The pusuit of happiness just seems a bore
And if you take more of those,
you will get an overdose
No more running for the shelter
of a mothers little helper
They just helped you on your way,
through your busy dying day

(m.jagger)

terça-feira, janeiro 16


da série: coisas que acontecem em vários lugares, mas em Porto Alegre é melhor.

Poisé, o que: olha pro sol
Poisé, o que: ta rolando um fenomedo[sic] louco
Dani Hyde: nossa que lindo!
Dani Hyde: é a nave do independence day
Poisé, o que: é
Poisé, o que: auhuhauhauha
Poisé, o que: que louco
Dani Hyde: sim, eu não entendo
Dani Hyde: vou ligar pro ramiro e perguntar o que é
Dani Hyde: ele é astrônomo
Poisé, o que: arrasa
Poisé, o que: =D

(ring....ring...)

- Ramiro?
- Oi Dan, fala.
- Tá ocupado?
- Ahn, não.
(quando a pessoa fala "ahn" é porque está)
- Vai olhar pro céu.
- Não posso agora.
- Você viu?
- Ah! O arco íris? Vi..
- Como um arco íris? Olha lá Ramiro! Não é um arco íris.
- Ah, é sim, só que é raro. Na verdade é mais complicado do que isso, vamos pesquisar aqui daí eu te falo.
-....

(desliga)

Dani Hyde: ai que sem graça. odeio cientistas
Dani Hyde: ele falou que é só um arco íris redondo..
Dani Hyde: mas é raro de acontecer.
Dani Hyde: e que pode ter a ver com um cometa que tá passando e vai ficar visível hoje..
Poisé, o que: ai
Poisé, o que: que chato
Poisé, o que: pensei que minha vida ia mudar
Poisé, o que: uahuhauhauhau
Dani Hyde: ah pode mudar...
Dani Hyde: auto sugestão.
Dani Hyde: acredita na foto, bonita.

mais tarde..

(ring...ring...)

- Dani? Ramiro..
- Oi bee
- Vamos pro gasômetro ver o cometa?
- Mas tá nublado, Ramiro!
- Ah tudo bem, eu sei, vou lá com a Melissa anyway. Mas até o fim da semana você vai?
- Vou Ramiro, vou. Mas eu já vi o Halley!
- Mas esse é muito mais brilhante!

**

Segundo eu já vi por aí, definitivamente não é um arco íris, é um HALO CIRCUNSCRITO, mas aguardarei informações da "base" do Rams.

De qualquer forma, o que importa, não é mesmo? C'est fantastique! Me arrependo de não poder olhar assim, diretamente pra ele (shit eyes).

Pronto, agora só falta uma aurora boreal lá em Macchu Picchu.
Assisti Charlotte´s Web com o Vince e chorei bonito.

Tinha um pai com um filho no Playland comendo repolho. Repolho. Assim, de dentro do saquinho do Zaffari. Cada um com uma folha, como se fossem vacas.

Nojento, odeio vegans.

*

To regravando uns cds que não funcionam mais aqui ( e me deixam puta quando vou tocar e não funcionam) e daí paro pra ouvir algumas pérolas da minha vida.

Late in the day, do Supergrass, me deixa completamente desarmada. É linda demais, e me lembra minha fase “grass extreme”, quando me aproximei mais dos meninos, paguei 100 reais num DVD e não me arrependi, essas coisas. E o solo, deus! É praticamente uma facada no coração. A primeira vez que ouvi, foi, pasme, assistindo MTV de madrugada. O Gas olhando pra mim e falando “Its late in the day / Im thinking of you / Things that you say…..”.

Ah, o amor à primeira vista.

Por que isso só acontece com música agora? Por que a gente tem que se esforçar e ficar arrancando mil máscaras dos outros até achar alguém decente? Isso cansa demais. E cada vez mais, ficamos mais duros, mais exigentes, mais seletivos, mais inflexíveis. O tempo vai passando e ficamos cada vez mais ignorantes no amor.

Eu me assusto com meninas de 16 anos que me dizem que nunca se apaixonaram e nunca querem se apaixonar. Como assim? Oh deus! Eu me apaixonei tantas vezes e me apaixono todo dia por alguma coisa porque é isso que nos dá vida e algumas pessoas simplesmente optam por excluir isso da vida. É certo que é tão mais difícil e raro agora. Mas com algum esforço é possível.

E veja, não sou passadista nesse sentido, isso ainda existe. O Gas é da minha geração e já falou “If you want to go out / Read it in the papers and tell me / What´s all about? / If you want to stay home / Freedom from the papers / All you ever need to know! All you´ve got to do / Oh no!”

“Oh no. Not me.”

Mas ah! Sim. Existe o hino.

God save the unstable
They stand alone

Só Supergrass salva.


*

Finalmente assisti o tão falado “O Albergue”, do Eli Roth. Parece que agora o cinema de horror está mais preocupado com a maquiagem do que com a cena em si. Uma certa competição de quem faz a vítima mais repugnante ou algo do tipo. Tenho que dizer que não achei tanta graça, a não ser pelas locações maravilhosas, terra do meu velho e bom Vlad. Um vampiro ali roubaria o filme sem muito esforço. O melhor do DVD são os extras com cenas do backstage. É ali que a gente vê quem realmente se diverte fazendo esse tipo de filme. O diretor, claro. Por isso que eu resolvi largar a linha de frente. Quem manda sempre se diverte muito mais, participa de tudo e ainda leva créditos. Aparece o Roth até tomando banho no melhor estilo Big Brother. E eu até podia fazer um trocadilho com esse sobrenome, mas ok, nem é tudo isso. O olho da Japa está tão bonito quanto o meu pulso.

Aliás, hoje eu descobri porque um chef de cozinha usa um avental de mangas compridas. O que eu não sabia até experimentar alguns ml de óleo escaldante ao fritar um bife à milanesa semana passada, que resultou em lindas bolhas de segundo grau. A experiência hoje foi um peixe flambado em azeite de oliva, e logo que percebi o instinto assassino do animal, corri botar uma camisa.


*

Sabe quando você se arrepende de ter conhecido uma pessoa? Se arrepende no sentido de lástima mesmo? Havia a alternativa pra que vocês nunca fizessem contato ocular, e você foi lá e achou que ela podia ser útil de alguma maneira. Me arrependo amargamente, e sei que nunca mais vou me livrar dela. Esse é um dos problemas em acreditar na humanidade. Acreditar que psiquiatras são dispensáveis e que todo mundo tem plena capacidade de se resolver sozinho. Pois é, não tem. 1x0 pra você, Glauco.

Não, o Glauco não é a pessoa. Ele sabe quem ele é.

domingo, janeiro 14

"a spectre is haunting..." (forever?)

incrível como não pensaram nisso antes. dica do träsel.

sábado, janeiro 13


Got to be there,
be there
In the morning
When she says hello to the world
Got to be there,
be there
Bring her good times
And show her that shes my girl

quarta-feira, janeiro 10


Sobre Baleias e Tubarões

É oficial, estamos de férias. Você não sente as férias quando vai viajar. Em viagem nós sempre temos ocupações e, até me arrisco a dizer que canso mais em algumas viagens do que no ritmo normal.

O “estamos” engloba: eu, o Vince, e o meu irmão, que agora é um espírito errante na terra. Qualquer dia eu dou mais detalhes sobre ele.

O Vince está de férias, pois pela primeira vez eu não estou dentro de um escritório no verão, e não sei qual será o destino dele. Essa reviravolta de leis sobre ensino me deixou extremamente confusa. Meio confusa. Já decidi que é um estupro botar uma criança de 6 anos na primeira série. Pois agora resta encontrar uma pré-escola que alfabetize. Embora as pedagogas dos grandes colégios espirrem com o sorriso engessado que uma criança não precisa estar lendo quando ingressa na primeira série, eu acho que tem que ler sim. E como ele está se encaminhando pra isso, não vou deixá-lo numa creche meia boca onde a cozinheira faz as vezes de professora. Eu lia com 6 anos, apresentei a formatura e bla bla bla, mas isso envolve o meu instinto de superação que conheci muito cedo. Também é o maior vilão da minha vida, mas essa também é outra história.

O que acontece é que vamos passar janeiro inteiro, os dois, dentro de casa, sem empregada. A segunda feira já mostrou que vai ser o inferno, então fomos pro shopping. Nada de parques e pracinhas pra mim, sorry, tenho pavor da interação que acontece nesses lugares.

Fizemos o roteiro básico Mc Donalds – piscina de bolinhas, com direito a adquirir mais alguns bonecos da promoção. E agora temos o Mac E o Blu. A satisfação é imensa. Eles são os correspondentes contemporâneos ao Calvin e Haroldo, uma das minhas grandes obsessões. Er...os brinquedos são dele, sim.

Então fomos comprar materiais escolares pros dois, cadernos e outras coisas, tudo do Homem Aranha. Afinal, o terceiro está quase aí. O Vince está muito empolgado que vai ter o Venom (nada como pais que ensinam a doutrina Marvel), já eu aguardo ansiosamente por Harry Osbourne, a.k.a. James Franco, meu Jeff Buckley do cinema.

E daí, o nosso templo, Livraria Cultura, parada obrigatória sempre. Eu não sei se existe algum tempo regulamentar pra ficar ali sentado lendo no Dragão, mas certamente se existir nós devemos ser visados. O Vico achou uma enciclopédia de Dinossauros maravilhosa, que trata desde o início das espécies, o CALDO PRIMORDIAL, as amebas, etc...Ele não entendeu muito bem como tudo isso se transformou em animais de 20 metros, mas pelo menos já teve a introdução. Pra falar a verdade, nem os cientistas sabem ao certo como se deu isso.

Enquanto ele escolhia um livro pra ele (uma vez que não dá pra sair de lá de mãos vazias), dei uma olhada na sessão dos clássicos estrangeiros, a intenção era só olhar, e olhei mesmo, várias tentações caríssimas, até encontrar uma edição da Dover do Old Curiosity Shop, de Charles Dickens. Well, viva o VISA e os créditos de cliente preferencial.

Dickens fez parte fundamental no semestre passado, quando fazia um trabalho sobre literatura vitoriana. Não vou mentir, ele pode ser meio chato, meio Machado de Assis. Mas assim como este outro, é uma leitura necessária. Todo mundo aí já deve ter assistido o Grandes Esperanças, certo? Pelo menos aquele com o Ethan Hawke e a Gwineth Paltrow. Então, é dele. Assista a primeira adaptação, é tãããão mais glamour.

A propósito. Eu nunca li um Machado. E não quero ler até que me obriguem. Dane-se a Capitu.

Vincenzo optou por uma história em quadrinhos do Menino Maluquinho (não achou graça dos clássicos), e esse contém animais, verdadeiro potencializador de escolhas na cabeça do pequeno ativista do Greenpeace. Dei graças por ele deixar o Bob Esponja na prateleira.

Mas foi na sessão de quadrinhos que eu passei vergonha. Eu, o Vico e mais uns 8 garotos de uns 15 anos nos apertávamos numa única estante (por sinal, vamos aumentar isso aí, certo?). Calvin, Garfield, Snoopy, DC, Sandman, Crepax, Manara, Crumb (ops, esses aí ficam no alto), todas edições importadas e longe dos nossos bolsos. Tinha um espaço só do Tintin, e como o Vince não sabia de quem se tratava eu comecei a explicar. Até que ele pegou esse livro e falou:

- Mãe, olha, um tubarão! – ele adora tubarões.
- Hmm, mas isso não é uma baleia?
- Tsc, mãe...Tu não sabe diferenciar? – todos me olhavam.
- Hmm, como se faz isso?
- Mãe, as baleias tem o rabo assiiiiiiiiim – gesticulando na direção horizontal – e os tubarões, assiiiiiiiim!!! – dessa vez, na vertical.

Eu, não convencida, continuei:

- Mas será que não é só um erro do desenho? - Um erro do Hergé! Deus, bate nessa mulher.
- MÃE!!! – todos olharam com muita atenção – Olha isso aqui! Isso são BRÂNQUIAS!!!
- E baleias não têm brânquias?
- Claro que não! Elas não são peixes!
- Mas elas não são peixes por outras razões... – já assinando o atestado de perdedora.
- Não mãe, elas respiram por aquele buraco na cabeça!
- Hmm, é? – assume – Então tá, depois tu me explica em casa...

Paguei os livros que escolhemos, ainda passamos no supermercado pra comprar uns 5 tipos de chocolate e viemos pra casa. O assunto morreu.

Hoje, enquanto lavava louça, Vincenzo chega pra mim, com expressão de vitória:

- Mãe, o nome do buraco na cabeça da baleia é ESPIRÁCULO.

UPDATE:

Mostrando o post pro Vince:

- Olha só, eu achei o desenho da capa daquele livro, agora eu entendi porque não é uma baleia.
- Você achou que era uma baleia só porque era preto e branco?
- Aham – cabisbaixa, a perdedora.
- Tsc – me olhando com uma expressão de “ah, coitadinha” – isso acontece às vezes...

terça-feira, janeiro 9

David Bowie Day – January, 8th

Fãs do mundo inteiro comemoram esse dia que passou como feriado internacional. Ou mais.

Pra algumas pessoas o nascimento do Sr. David Jones representa mais que o do Sr. JC. Talvez esse seja o meu caso.

Há 20 anos atrás ele entrou na minha vida como Jareth, o Rei dos Duendes que leva os irmãos chatos para o além e se apaixona por ti. Durante a adolescência houve um período de latência previsível no qual nos separamos (sem mencionar o que ele fez de 87 até o início dos anos 90, a idade das trevas). Há 10 anos atrás eu adoeci irremediavelmente. Comprava o álbum Outside, como já relatei a historinha por aqui várias vezes, e depois disso David Bowie se tornou meu amigo, amante, profeta, psiquiatra, exemplo, guru, e por aí vai. Deus.

Na mesma época surgia a Bowie Net, o seu provedor próprio, no qual eu era associada e tinha informações até da cor da cueca que ele usava no dia, tendo coletâneas minhas publicadas no site e respostas do próprio para algumas das minhas perguntas inquietantes (nada interessante pra outras pessoas, por ex. “David, what do you wonder about Peter Hammill’s works e blá blá blá”). Depois de um tempo o Plano Real mostrou a que veio e o sonho de 1 dólar = 1 real acabou, assim como a minha assinatura. Hoje a Bowie Net é uma mega rede com milhões de usuários, e particularmente, eu não pagaria os 64 bucks anuais pra me decepcionar. No início éramos 20, e os que ficaram da época hoje são redatores do site e têm ingressos grátis pra qualquer apresentação. Maldito Brasil e seus problemas econômicos.

Eu havia esquecido, da mesma forma que esqueço os aniversários de todo mundo, menos o meu e o do meu filho (e o da minha mãe, que é no mesmo dia que o dele). Mas a internet é linda e nos deu o Orkut.

Há algum tempo atrás eu descobri que no Rio de Janeiro vários fãs se reúnem e fecham o dia 8 inteiro (da meia noite e um até onze e cinqüenta e nove) de um estúdio pra ficar fazendo jam sessions, bebendo vinho, fumando Marlboro e tocando....hmmm....Bowie. O tempo todo. Já tentei organizar algo parecido por aqui, mas nunca dá certo, faltam músicos e falta organização. Someday, someday.

ELE sempre está presente. E mais do que isso, com a ajuda da Assistência, sempre que acontece algo “that really matters” na minha vida, é só prestar atenção na trilha sonora, que ELE está lá, fazendo sinal de positivo. Garanto que é completamente involuntário e até assustador de vez em quando.

Não sei mais o que falar sobre isso. Minha vida não seria a mesma sem ELE.

Parabéns, London Boy, Karma Man, Madman, Superman, Starman, Ziggy, Aladin, Dory, Bitch, Duke, Sweet Thing, Hot Tramp, Angel, Hero, Dog, Alien, DJ, Nathan, Daddy, Dreamer, Earthling… Enfim, que você tenha a eternidade toda, Wild Eyed Boy.

Keep Swinging!

*

Pra encerrar (óbvio que não consigo parar por aqui sem falar de nenhuma música), fiz um exercício bem conhecido pelos nerds. Botei todos os álbuns no shuffle enquanto escrevia aqui, o que deu uma seleção caótica de 13 músicas, e vou comentá-las brevemente.

01. Dodo / 1984

A primeira eu tive escolher, então introduzo com essa versão especialíssima, ao vivo, que está na edição de aniversário do Diamond Dogs como bonus track. Em todo o trabalho do Bowie, encontramos milhares de referências, mas o Diamond é uma prova concreta do que Orwell fez com a cabeça dele. 1984 é um show de letra e composição. O medley com Dodo só a deixa mais forte ainda. Me lembra os bons tempos de discotecagens intocáveis na Funhouse.

02. We Are Hungry Men

Bowie mod, cabelinho e terninho, tentando imitar a negrada, tem coisas maravilhosas nesse disco (Deram Anthology), mas essa não é das minhas preferidas, mas o refrão já dá o tom: “we are not your friends, we don´t give a damn for what you´re saying, we´re here to live our lives!”

03. The Voyeur of Utter Destruction (As Beauty)

Outside. Falo demais desse disco, então não vou me alongar. Ela só é a melhor do álbum. Começo a ouvir o crescendo e as borboletas do estômago já ficam todas abusadas.

04. Jean Genie

Também não super faz minha cabeça at all. Mas representa um dos melhores álbuns da história da música (The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars). E no clipe vale conferir a estonteante Cyrinda Foxe, a groupie que mais faturou nos anos 70.

05. Sufragette City

Mesmo álbum, mesmo estilo, mesmo Ziggy enlouquecido.

06. Always Crashing On The Same Car

Uma balada dessas do tipo “a história da minha vida”. Não dá pra ficar imune. Quando se ouve o riff do refrão, é necessário afastar todas as giletes da casa. Fora o fato de figurar o Low, disco da trilogia Berlin, junto com Heroes e Lodger, que pra muitos, é insuperável.

07. China Girl

“I feel tragic like i´m Marlon Brando”. Oh My…sem comentários. Quem escreve isso sabe o que está dizendo.

08. Moonage Daydream

Muito culpada no cartório. Logo no início, quando estava chafurdando tudo sobre o trabalho do Homem, assisti o filme (Ziggy Stardust... – The motion picture). Moonage começa com riffão e um sussurro: “aah...uuuuuuh....uuuuuuuh....”, e abre numa declaração “I´M AN ALLIGATOR, I´M A MAMMA PAPPA COMMING FOR YOU!”, o choque foi sem igual, as pessoas na platéia transtornadas, fazendo coreografias no refrão (“keep your ‘letric eye on me babe / put your raygun to my head / press your spaceface close to my love / freakout in a moonage daydream...oooh yeah”), chorando, e aquele ser no palco, transando com todo mundo através da voz. Elvis? Nah. Beatles? Nah. Mick Jagger? Quase. Era uma persona, além do homem, ele não era real, era muito melhor. E Ziggy Stardust se apresentou pra mim.

09. Sorrow

E lá pelas tantas ele lança um disco só de covers. Pros puristas, é certo que ele arrasou com muitas obras definitivas, mas Sorrow, é uma graça. Brega pra caramba, quase um Cauby Peixoto hetero (ou não). Mas é trimmassa. Está no Pin Ups.

10. Breaking Glass

Também do Low. Todo aquele visual artê pós moderno, menos de 2 minutos de música. Textura forte nas guitarras. Sobre a Berlin Era vale lembrar que Bowie se preocupava demais com texturas, arranjos, etc. Tudo tinha que ser “visível”, "palpável”.

11. New Killer Star

Estrela maior do último disco, Reality. Como sempre o cara usa de um oportunismo sem igual pra gravar. O Reality é o Bowie tentando ser moderninho, uma das lendas da produção é que ele escreveu todas as canções ouvindo Song 2 do Blur. Não tem nada a ver, mas a gente nota aqui e acolá os ares de Albarn e Coxon. Nessa faixa mesmo, escute com atenção e pense naquela caixinha de leite bonitinha. :)

12. Changes

Feliz por ela ter dado o ar da cara. A personificação do homem. Ch-ch-ch-ch-changes!

13. Perfect Day

Hahaha! Então lembra o que eu falei lá em cima. Versão com vários artistas, na qual o Lou (Reed) destinou as melhores linhas (linhas? ãhn? Ãhn? Hahaha) ao nosso aniversariante.

Just a perfect day, you make me forget myself.

*suspira*